Este livro de Diogo Roiz escrutina um tema candente em inumeras reflexões historiograficas contemporâneas, centradas no debate em torno da narrativa historica e das relações entre a Historia e a Literatura. Revela o quanto as fronteiras – se e que existem no plano da escrita – sio permeaveis e impõem i pesquisa historica o trânsito obrigatorio pela textualidade e pela discussio sobre a referencialidade e a ficcionalidade presentes no discurso dos historiadores.Ele parte da analise a respeito do impacto e dos desdobramentos vividos com o advento da linguistic turn para em seguida tratar da emergencia do contextualismo ingles nos estudos historicos, devotados ao problema da narrativa, conferindo uma contribuiçio que ocupa um lugar de destaque nos estudos existentes" alem de deslindar convergencias e distanciamentos nos aportes teoricos constituIdos e examinar instrumentais metodologicos adotados por diferentes historiadores em varios estudos historicos lapidares a respeito do tema.Tomando a complexa relaçio havida entre a ciencia historica e a arte narrativa na historiografia do seculo XX, o autor avalia o expediente e as estrategias de reconstituiçio do passado, o dialogo com seus princIpios de realidade, a reivindicaçio ou nio i verdade e o uso que e feito das fontes textuais e literarias para se interpretar aspectos de um determinado evento, ou para a construçio e reconhecimento de um dado contexto historico.Nas paginas a seguir, os leitores encontrario digressões solidas e lucidas em torno do pensamento de autores seminais como Michel Foucault, Hayden White, Quentin Skinner, Roland Barthes, Peter Gay, Nietzsche, Jacques Derrida, Gilles Deleuze, David Harlan, Michel de Certeau, Dominick LaCapra, dentre outros, cuja analise constroi um amplo painel e um quadro de problemas oferecendo tanto a pesquisadores experientes, quanto a iniciantes, um manancial de reflexões capazes de iluminar a compreensio da complexa relaçio entre a Historia e a Narrativa.Por fim, o autor nos brinda com capItulos onde demonstra possibilidades e modos pelos quais as fontes literarias podem ser utilizadas na pesquisa historica, a fim de problematizar noções de texto e contexto, bem como trazendo i superfIcie fissuras mais profundas dos homens no passado. Ali examina como Georges Duby faz uso da Literatura e das fontes literarias em seus estudos sobre a Idade Media, para acessar a complexidade da vida, das razões e dos sentimentos do homem medieval analisa aspectos do escravismo brasileiro em peças teatrais dos seculos XVIII e XIX, a fim de evidenciar como estas peças criavam realidades a partir de convenções de realidade " e discute a potencia da obra emblematica de Kafka, acompanhando a construçio de sua escrita e suas contInuas leituras e reconstruções, por parte de seus leitores/interpretes. Esses sio alguns dos movimentos de analise que a obra faz e permite ao leitor observar as tramas que se formaram em torno da escrita da historia e do enredo dos romances ao longo do seculo passado, cujo desenlace desdobrou-se, entre outras coisas, na produçio de narrativas hIbridas a respeito do vivido de outrora, ou mesmo sobre o imaginado.Julio BentivoglioProfessor da Universidade Federal do EspIrito Santo (UFES)Sobre o autor: Diogo da Silva Roiz e Professor Associado na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Doutor em Historia pela Universidade Federal do Parana (UFPR), onde tambem concluiu estagio de pos-doutorado em 2015. Pela Alameda publicou Para ser historiador no Brasil e O curso de Geografia e Historia.