No tique-taque das horas, o poeta da estreia ja manipula com destreza sua alquimia de palavras. Sabe, para quem diz que principia, garimpar, na cristaleira do seu tempo, sua mitologia pessoal e as fabulas costuradas no tricotar dos dias. Ao contrario de outros – esbaforidos que ventam palavras justamente pensando que as versejam – ele as convoca silenciosamente para o rito pensado dos versos. Todos os poetas, ou quase, investem e sio recorrentes no (re)pavimentar da infância antiga. e um traçado de sua propria historia. Giz, nanquim, aquarelas, lapis de cores abandonam seus estojos e trabalham com ele para compor o cenario de sua linguagem. Poesia e casa, lenda, e o nosso poeta Pedro, que se diz iniciante, ja esta percorrido. Seu Manoel tem luzes e dominância tematica. Ora Pedro, ora Manoel... Posta-se credenciado na construçio do seu proprio epico, cerzindo com naturalidade um eu lIrico exposto agora – para a curiosidade voraz dos leitores que conquistara. Todos os versos tem sua memoria e nos alinham dentro de sua propria linha do tempo. Escravizam-nos direcionados para o que eles idealizam, e nio somente para o desejo caprichoso que nos move apropriando-se das palavras. Poeta, poema, estilo e cadencia rItmica estio imersos num ente solidario. Discutem muito, mas entendem-se. elvio Vargas - Poeta