Em seu livro de estreia, Mabel explora a memoria, perda e infância, mostrando como sentimentos opostos podem coexistir. Lembrar nio e, necessariamente, organizar o passado, mas bagunça-lo de um jeito novo. Partindo desse princIpio, em Novos amigos, Mabel trata a memoria como um campo de colisio: episodios distantes no tempo se esbarram, se contaminam, se alteram mutuamente. No poema de abertura, duas cenas – uma troca de roupa na infância, uma tentativa de transa na adolescencia – se entrelaçam para mostrar que o que nos marca nio tem hora certa para acontecer. Ha algo que muda para sempre, mas essa mudança vibra entre o riso e o constrangimento, entre o susto e a ternura. Ao longo do livro, o luto e a brincadeira formam uma dupla improvavel e inseparavel. O pai que morreu volta com dedos calejados e cheios de confete" os amigos perdidos reaparecem em formas indefinidas " a infância, que parecia enterrada, ressurge com força de encantamento. Mabel nio traça fronteiras entre ser criança ou adulta: ela atravessa esses limites com a mesma naturalidade com que guarda cacos de lembrança. Com imaginaçio e melancolia, ela propõe um outro caminho para a poesia: onde o fantasma sorri, a dor dança, e a lembrança inventa aquilo que parecia ja ter acabado.
Autor: BOECHAT MABEL
Editora: CACHALOTE
Idioma: Português
ISBN: 9786583003676
Páginas: 80
Encadernação: Brochadura
Edição: 01ED/25